
Agradecemos a todos que participaram e prestigiaram o Festival dos 5 Minutos 2008.
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Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseioQue a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a bocaPorque metade de mim é o que eu grito a outra metade é silêncio.Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristezaQue a mulher que amo seja pra sempre amada mesmo que distantePorque metade de mim é partida, a outra metade é saudade.Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervorApenas respeitadasComo a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentosPorque metade de mim é o que ouço a outra metade é o que calo.Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e paz que mereçoQue a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensadaPorque metade de mim é o que penso, a outra metade um vulcão.Que o medo da solidão se afasteE o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportávelQue o espelho reflita meu rosto num doce sorriso que me lembro ter dado na infânciaPorque metade de mim é a lembrança do que fui a outra metade não sei.Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espíritoE que o seu silêncio me fale cada vez maisPorque metade de mim é abrigo a outra metade é cansaço.Que a arte me aponte uma resposta mesmo que ela mesma não saibaE que ninguém a tente complicar, pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescerPorque metade de mim é platéia a outra metade é canção.Que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amore a outra metade também.Metade (Oswaldo Montenegro)
Os alunos dos grupos de teatro amador da Cia do Abração, estimulados por estas indagações, desenvolveram, através da linguagem da performance, experiências de formas expressivas baseadas na relação tempo x espaço.
